segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Tio Patinhas e a Moeda Número Um



Quando o genial Carl Barks (1901-2000) criou o Tio Patinhas no verão de 1947, ele era apenas um parente distante e avarento do Donald, razoavelmente rico e extremamente ranzinza - uma paródia de Ebenezer Scrooge, o insuportável muquirana de Um Conto de Natal, de Charles Dickens (1812-1870).

Foi no transcorrer dos anos que Barks começou a elaborar a personalidade do magnata, delineando os traços que viriam a consolidá-lo como uma das mais populares figuras do universo dos quadrinhos.

Incorrigível sovina, mas sujeito a repentinos atos de generosidade, Patinhas enriqueceu à custa do trabalho e não hesita em se aventurar pelo planeta (e até fora dele) para ampliar sua riqueza.

Essa imensa fortuna está guardada em um edifício gigantesco da altura de um prédio de doze andares e começou a ser acumulada a partir de uma moeda de 10 cents de dólar, que Patinhas recebeu como primeiro pagamento, quando, ainda menino, trabalhava como engraxate na Escócia. Como era uma moeda americana, ou seja, nada valia em sua terra natal, o pato então a guardou e a usou como inspiração para fazer fortuna em outros países.

Foi em histórias posteriores, feitas por outros autores, que se introduziu o conceito de que a moeda trazia boa sorte para seu dono. Em algumas tramas, por exemplo, o Tio Patinhas começa a perder dinheiro quando ela não está mais em seu poder.

Na verdade, o velho milionário sempre vai às lágrimas, ou entra em profunda depressão, quando se vê privado da moeda Número Um, e é por isso que ela fica acomodada dentro de uma redoma de vidro, devidamente vigiada, na Caixa-Forte.


Tanta segurança é necessária porque esse pequeno tesouro sentimental é o objeto de desejo da feiticeira Maga Patalógica, que acredita que a primeira moeda obtida pelo pato mais rico do mundo poderá lhe trazer riqueza e grandes poderes, se for derretida nas lavas do Vesúvio e convertida em um talismã.

Durantes anos, a Maga tentou de tudo para pôr as mãos na moeda Número Um - sem nunca atingir seu objetivo. A obsessão da bruxa é tão grande que chega às raias da paranoia.
Mas será mesmo que o dinheiro do tio viraria pó se a primeira moedinha desaparecesse? Barks e seu seguidor, o escritor e desenhista Don Rosa, preferiam não apostar nisso, já que o trabalho duro e a perseverança, e não a sorte fez de Patinhas o pato mais rico do mundo.

Por outro lado, eliminar o efeito místico do Número Um das HQs Disney seria o mesmo que apagar Krypton do passado do Superman. Ela faz parte da cultura popular, a ponto de ser citada na letra da música Superbacana, de Caetano Veloso, gravada em 1967.


Todos nós temos a moeda número 1 da nossa vida. Aquilo em torno do que você construiu tudo. Tenha em mente que o que você tem de mais importante e valioso é a sua moeda número 1.
Faça como o Patinhas, não foque no que você possui ou construiu, mas na sua moeda número 1. Ela é seu talismã, o resto você conquista de novo.
Guarde sua moeda número 1 em um lugar separado de todo o resto. Para sempre ter a sobriedade de distinguir o que é causa do que é consequência. Para não ter medo de perder o que tem. Para não pensar duas vezes em qual caminho seguir.

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